Fiz de minhas tripas
uma lira antiga e diáfana
para com ela semear
canções de ventos e brisas.
Fiz de meu peito
uma gaita soante e forte
para saudar ao pleno sol
emoções mais vivas.
Fiz de minha pele
um tambor arcaico e grave
para tocar a terra (inteira)
melodias de flor e carvalho.
Fiz com minhas mãos
abençoada elegia (druídica)
para que a chuva chegue
sem ocultar luar e estrelas.
Fiz de meu corpo (por completo)
o Corpo de todos os deuses
para que possamos, em uníssono,
cantar à Vida Plena...
Para só assim, por fim, fazer silêncio
(abrigo de toda palavra e canto)
um lugar con-sagrado aos seres,
como o cantar dos Bardos Antigos.
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